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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Revisão do Uso da Terapia Cognitivo-Comportamental no Tratamento do Transtorno de Ansiedade Social



Psicologia Cognitiva

Escrito por: Ederson da Silva Pinto | Publicado em: 08 de Agosto de 2013
                

Resumo: Os pacientes com transtorno de Ansiedade Social vivenciam um sofrimento psíquico que pode ser minorado com as técnicas da terapia cognitivo comportamental o que justifica o surgimento de novas pesquisas e novas técnicas para o tratamento. Assim, o objetivo desse artigo é revisar a literatura cientifica a respeito do tratamento do Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia social utilizando técnicas da psicoterapia cognitivo-comportamental. Utilizou-se nessa pesquisa análise bibliográfica de artigos indexados nas seguintes bases de dados: PubMed/MedLine, PsycINFO, Registro Cochrane,   LILACS, ISI/Web of Science. Os resultados apontaram que tanto as técnicas clássicas quanto as mais recentes da terapia cognitivo-comportamental demonstraram eficiência e necessidade de integração com outras técnicas. As técnicas da terapia cognitivo-comportamental verificadas nesta revisão de literatura são eficazes para o tratamento do transtorno de ansiedade social, entretanto, verificaram-se escassos estudos específicos. 

Palavras chave: Transtorno de ansiedade social, Fobia social, Terapia, Terapia cognitivo-comportamental, Revisão.

1. Introdução
Diversos estudos empíricos já foram feitos buscando como base o estudo do Transtorno de ansiedade social (TAS) ou fobia social, que é apresentado no DSM-IV-TR da Associação Psiquiátrica Americana (2002) caracterizando-se por um medo acentuado e persistente de eventos sociais tais como: falar em publico, falar com estranhos, conhecer novas pessoas ou quaisquer situações onde a pessoa acredita estar exposta à avaliação de outros ou de se comportar de maneira humilhante e vergonhosa provocando invariavelmente uma resposta de ansiedade com sintomas somáticos antes, durante e depois destas pessoas estarem em uma situação social, sendo expressos por palpitação, rubor, tremor e sudorese, causando assim um sofrimento significativo para o paciente.
Uma pessoa só poderá ser diagnosticada como tendo TAS se este medo afeta significativamente a sua vida profissional ou pessoal (BURATO et al., 2009).  Entre as diversas modalidades de psicoterapia, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é o tratamento mais eficaz para o transtorno que estamos estudando (Ito et al., 2008)
Mesmo com a popularização da TCC no tratamento para o TAS, nem todos os pacientes melhoram, pois alguns pacientes continuam apresentando sintomas residuais após serem tratados, demonstrando a importância de conhecer novas técnicas e sua eficiência. (Ito et al., 2007).
O objetivo deste artigo é revisar a bibliografia disponível no idioma português que apresentem técnicas para tratamento do TAS, bem como qual delas demonstra eficácia.

2. Método
Trata-se de uma revisão bibliográfica da literatura que investiga a aplicação da TCC no tratamento do transtorno de ansiedade social onde as bases de dados consultadas na internet foram o Medline, Lilacs, Scielo, Cochrane e Psycinfo com  as  palavras-chave:  fobia social, ansiedade social, terapia cognitivo- comportamental. Foram incluídos os artigos publicados a partir de 2005. A pesquisa na base de dados foi efetuada nos meses de Março a maio de 2011, Adotaram-se como critérios de inclusão dos artigos: (a) idioma - português; (b) amostras com sujeitos adultos; (c) técnica comum em transtornos de ansiedade. Utilizaram-se como critérios de exclusão estudos relativos à: (a) com idosos; (b) com outros transtornos psiquiátricos que não sejam da ansiedade; (c) relativos apenas a abordagem farmacológica; (e) relativos a neuroimagem. Após a pesquisa e posterior leitura, 07 artigos foram escolhidos por tratarem de técnicas adequadas ao tratamento do  TAS.

3. Resultados e Discussão
Nesta revisão de literatura buscou-se apresentar o máximo de métodos e os resultados encontrados, porém, pouca literatura que avalie os experimentos de forma isolada está disponível no idioma português. A tabela I descreve os artigos localizados, que no serviram de base referencial, sua estrutura apresenta a metodologia utilizada e os resultados verificados em cada estudo.

Tabela I – Achados da revisão de literatura (2005-2010)
Autor/ano
Técnicas utilizadas
Método
Resultados
Conclusões
D’El Rey, G.J.F. et al.(2005)
Exposição ao vivo
Reestruturação Cognitiva
Relato de caso
01 participantes
No fim de três semanas a paciente ela era capaz de realizar a tarefa mais difícil na hierarquia construída.
A conclusão bem sucedida pode depender da adequação da estratégia terapêutica em lidar com os pensamentos negativos.
D’El Rey & Pacini , 2006)
Técnicas de relaxamento
Ensaios clínicos
Ajudaram o paciente a controlar sintomas fisiológicos antes ou durante os eventos temidos.
Facilitam a exposição do paciente à situação temida, porém não são eficazes isoladamente no tratamento da TAS.
Treinamento de habilidades sociais
Ensaios clínicos
67 pacientes
Os estudos relataram uma superioridade desta técnica em relação ao placebo e à ausência de tratamento
A técnica tem sido recomendada para todos os pacientes, pois demonstrou eficácia em reduzir a ansiedade no confronto interpessoal.
Exposição ao vivo
Ensaios clínicos
62
O estudo informa eficácia da exposição no tratamento da TAS
Sugere-se executar juntamente com a reestruturação Cognitiva
Reestruturação
Cognitiva
Ensaios clínicos
60
Demonstrou eficácia no tratamento da fobia social, principalmente se or aplicada conjuntamente com técnicas de exposição
As técnicas de exposição em especial servem mais para eliciar as cognições negativas do que para habituar à ansiedade gerada pela situação social
Mululo et al.(2009)
TCC via internet com manual de autoajuda e sem terapeuta.
Ensaio clínico
64 pacientes
Demonstrou ser eficaz na redução do nível de ansiedade social em seis ensaios controlados.
Surgem como alternativas promissoras no tratamento do TAS
TCC via internet com contato mínimo de um terapeuta (email)
Ensaio clínico
105 pacientes
O grupo de tratamento foi mais eficaz na melhora do humor, da habilidade e da ansiedade social.
TCC via internet, com contato mínimo com terapeuta ao vivo
Ensaio clínico
105 pacientes
O grupo de tratamento foi mais eficaz na melhora do humor, da habilidade e da ansiedade social.
Entre as intervenções via Internet esta foi considerada a mais eficaz
Oliva VHS, et al. (2010)
Cinematera
Ensaio clínico
105 pacientes
O nível de autocrítica dos pacientes aumentou após a discussão dos filmes.
Verificou-se escassez de estudos que evidenciem adequadamente seu efeito terapêutico.
Spear King AL, et al. (2008)
Indução de sintomas
Relato dos casos 03 pacientes
Os pacientes do estudo relataram sentirem-se seguros e capazes.
São necessários estudos com amostras maiores de pacientes
Ito LM et al. (2008)
Terapia cognitivo-comportamental em grupo
Relato de caso
01 paciente
Abordagem grupal, por si só, facilita a exposição ao vivo.
Sugere-se a necessidade de estabelecer maiores estudos científicos.

4. Principais Técnicas Descritas nos Artigos Encontrados

4.1 Reestruturação Cognitiva e Exposição ao Vivo
Com relação às técnicas utilizadas observou-se que existe uma pequena variação. Dos 07 artigos utilizados na tabela os mais usados foram reestruturação cognitiva que tem como objetivo municiar o paciente na habilidade de identificar os padrões de pensamentos negativos e este foi ensinado a procurar evidências favoráveis e contrárias aos seus pensamentos e exposição ao vivo (D’El Rey & Pacini, 2006; D’El Rey, G.J.F. et al.2005). nessa técnica terapeuta e paciente trabalham juntos construindo uma hierarquia de situações estressantes que elicia graus crescentes da ansiedade ajudando o paciente a ir aproximando-se cada vez mais do grau mais temido de ansiedade (D’El Rey, G.J.F. et al.2005; D’El Rey & Pacini 2006).

4.2 Técnicas de Relaxamento e Treino de Habilidades Sociais
D’El Rey e Pacini (2006) sugerem em seus estudos que as técnicas de relaxamento permitem que sejam controladas os sintomas fisiológicos (Spear King et al., 2008)  tais como: hiperventilação, sudorese, tontura e etc, tanto antes quanto durante o evento temido, facilitando assim a exposição do paciente as situações por ele temidas ou evitadas. O treino das habilidades sociais que são: a modelagem pelo terapeuta, ensaio comportamental, funcionamento social e as tarefas de casa, tendo sido relatadas com superior ao tratamento com placebo ou à ausência de tratamento, recomendadas para todos os pacientes com dificuldades nas habilidades sociais de qualquer grau.

4.3 TCC Via Internet
Uma alternativa para quem tem dificuldades de acesso ao tratamento psicoterápico da Terapia cognitivo comportamental por dificuldades geográficas é a internet, que tem surgido como um espaço onde as relações e a comunicação tem sido a cada dia mais explorados, e se pode haver interação humana é bem provável que uma relação terapêutica possa ser efetuada. Para Mululo et al. (2009), a TCC via internet demonstra eficácia na redução de ansiedade social, sendo esta forma de interação terapêutica executada  nos ensaios clínicos nas 03 modalidades a seguir: a) TCC via internet com o auxilio de um manual de autoterapia e sem terapeuta; b) TCC via internet com contato mínimo de um terapeuta, que era efetuado via correio eletrônico ou via contato telefônico; e c) TCC via internet com contato mínimo de um terapeuta de forma presencial, sendo esta ultima considerada a mais eficaz entre as efetuadas pela rede mundial de computadores.

4.4 Cinematerapia
Oliva et al. (2010) em seu estudo enfatizou que desde o final da década de 1960, filmes tem sido elaborados com o intuito de impactar sobre uma determinada técnica psicoterápica, entre elas, a psicoterapia cognitivo comportamental tem sido contemplada. Utilizando a Cinematerapia como recurso terapêutico, para aplicar técnicas tais como modelação, exposição supra ou subliminar, ajudando o paciente a realizar tarefa de casa, os filmes seriam indicados para reforçar uma ideia trazida na terapia, sendo útil para estimular a busca da autocritica do paciente.

4.5 TCC em Grupos
A Terapia cognitivo-comportamental em grupo, para Ito et al. (2008), embora não se mostre superior ao formato individual da TCC, ainda é sugerido por ser uma alternativa eficaz, tendo como vantagem a vivencia grupal que promove exposição ao vivo, evidencias contra distorções cognitivas, compromisso publico de mudança, entre outros. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados neste formato de terapia tais como: o balanceamento do grupo por gênero, idade, gravidade da TAS e comorbidades, o que não beneficiaria alguns participantes.

4.6 Técnica de Indução de Sintomas
Spear King et al. (2008) informou que a técnica da indução de sintomas por meio de exercícios é  responsável  por resgatar a autoconfiança do paciente ao perceberem, na prática, que os sintomas de hiperventilação, sudorese, tontura e coração acelerado  podem ser controlados, e que não estavam associados a algo grave como a morte. Justifica-se esta técnica em virtude de o DSM-IV-TR (2002) apresentar entre os critérios de (TAS) o fato de a ansiedade ser capaz de assumir a forma de um ataque de pânico.

5. Considerações Finais
Com base nas informações encontradas na literatura, consideramos que nas diferentes técnicas da TCC aplicadas ao TAS, foram apresentadas índices de eficácia, porém, a conclusão bem sucedida do processo psicoterápico e a manutenção dos ganhos conseguidos podem consequentemente depender, em alguma extensão, da adequação da estratégia terapêutica em lidar com a cognição do paciente. Dessa forma, as técnicas não podem ser utilizadas isoladamente pelo fato de diminuir sua eficácia.
Percebeu-se que algumas técnicas são indicadas para todos os pacientes como o relaxamento e a exposição ao vivo que potencializa os resultados positivos quando executado juntamente com a reestruturação cognitiva.
Verificamos também que a TCC pode ser aplicada individualmente ou em grupo no TAS, sendo possível também utilizar técnicas da TCC via internet, principalmente as que preservam o contato com o terapeuta. Embora muito recentes em sua aplicação, os recursos da rede mundial na TCC, já apontam para um futuro promissor, principalmente se levamos em consideração os resultados apresentados, entretanto, ainda carecem de melhores estudos.
Há uma lacuna bibliográfica nos estudos em nosso idioma, sugerimos que novos estudos despontem e investiguem mais para a melhor avaliação e elaboração de um plano de tratamento o que contribuiria para a promoção da saúde mental e aprimoramento da ciência. Este é um campo fértil para futuras pesquisas.

http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicologia-cognitiva/revisao-do-uso-da-terapia-cognitivo-comportamental-no-tratamento-do-transtorno-de-ansiedade-social

Histeria de conversão: algumas questões sobre o corpo na psicanálise

Tempo psicanal. vol.44 no.1 Rio de Janeiro jun. 2012

 

SEÇÃO TEMÁTICA

Histeria de conversão: algumas questões sobre o corpo na psicanálise1

Conversion hysteria: some questions about the body in psycho-analysis


Sonia Leite
Psicanalista, Membro do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise, Doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Professora Visitante do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)



RESUMO
O trabalho resgata a importância histórica da noção de histeria de conversão indicando sua atualidade na clínica. Tomando como referência os textos freudianos, o artigo destaca a noção de solicitação somática como ponto teórico fundamental para compreender o mecanismo de conversão do sofrimento psíquico em sofrimento físico. Destaca, ainda, que tal noção antecipa o conceito freudiano de pulsão de morte.
Palavras-chave: neurose; histeria; conversão; somático; psíquico.

ABSTRACT
This paper recovers the historical significance of the conversion hysteria notion, indicating its present day usefulness in psychoanalytical practice. By using Freudian writings as reference it highlights the notion of somatic compliance as being fundamental in the comprehension of the mechanism of conversion of psychic pain into physical pain. Moreover, it also shows that such notion anticipates the Freudian concept of death instinct.
Keywords: neurosis; hysteria; conversion; somatic; psychic.



me surpreende que os históricos de casos que escrevo pareçam contos e que, como se poderia dizer, eles se ressintam do ar de seriedade da ciência [...]. Me consolo com a reflexão de que esse resultado se deve a natureza mesma do assunto mais do que de uma predileção minha.
Freud, 1893-1895/2007: 174

Retomar os primeiros casos clínicos freudianos e testemunhar o nascimento da psicanálise é, de fato, surpreendente. O que surpreende é a atualidade das questões aí presentes. Atualidade que conduz ao reconhecimento de que no campo psicanalítico não cabe a noção de evolução porque as descobertas que se encontram nas origens dessa disciplina não envelhecem jamais, se tornando cada vez mais complexas com o avanço das pesquisas freudianas e lacanianas.
É exatamente essa a impressão que se tem quando nos debruçamos no estudo dos primeiros casos de histeria, que se apresentam com uma atualidade indiscutível, apesar de comumente ouvirmos que o aparecimento de novos sintomas ultrapassaria em importância as principais problemáticas que a clínica da histeria teria inaugurado. Nada mais equivocado!
A problemática histérica com sua multiplicidade expressiva - crises de angústia, dores, vertigens, desmaios - que emerge no corpo deixa, ainda hoje, atônitos alguns médicos que buscam em vão uma explicação de cunho orgânico. Essa multiplicidade sintomática conduziu a Associação Americana de Psiquiatria a excluir a palavra histeria de sua nomenclatura. Em seu lugar, em 1980, o DSM-III incluiu a expressão desordem de personalidade múltipla que, em 1994, no DSM-IV, foi substituída por distúrbios dissociativos da identidade.
Apesar da etiologia incerta a medicalização tem sido certa. O uso de psicofármacos tem se apresentado, na atualidade, como o caminho mais frequente para as chamadas patologias do espírito e tem na histeria seu enigma fundamental.
Por suas múltiplas formas de expressão a histeria parece se constituir num verdadeiro espelho da cultura, uma tela de projeção em que se fixa a imagem negada daquele que a contempla.
Foram especialmente esses pontos que me conduziram a retomar o estudo da histeria de conversão, paradigma da psicanálise. Afinal o que é a histeria de conversão? E qual o lugar dos sintomas corporais aí presentes? Resgato aqui a expressão freudiana solicitação somática2 como eixo explicativo para o mecanismo da conversão.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Como afirma Trillat (1991), em sua História da histeria, ao longo dos séculos a histeria é uma problemática que tem sido reivindicada por diferentes poderes, estados e disciplinas, além de ter sido produtora de um imenso universo de conhecimento. O fato é que "o padre, o filósofo e o médico [...] sentiram-se concernidos num momento ou noutro, uns e outros e todos juntos" (Trillat, 1991: 13), por essa questão.
Em sua origem greco-latina a histeria se constituiu como uma questão de e para as mulheres - as parteiras - que, à distância dos homens, acumulavam um saber sobre o parto, a infância, o sexo da mulher e as doenças que a acometiam, especialmente aquela traduzida pela sufocação. Sufocação da matriz, do útero - origem da palavra histeria.
Hipócrates (século IV a.C) vai consagrar duzentas e cinquenta páginas de suas obras completas às "doenças das mulheres", cuja origem principal é atribuída à mobilidade da matriz, dando continuidade à ideia, que remonta à mais alta Antiguidade, de que o útero é um organismo vivo análogo a um animal dotado de autonomia e de uma possibilidade de deslocamento. Ideia insólita que terá vida longa até o começo da era cristã. A "sufocação da matriz" - a histeria - não é considerada senão um caso particular das doenças das mulheres, afecção que, segundo Hipócrates, ocorre, sobretudo, àquelas que não têm relações sexuais, o que tornaria o útero mais leve e de mais fácil movimento. Esse fato levaria o útero até o fígado, causando a seguir uma sufocação súbita da mulher ao interceptar as vias respiratórias. Para Hipócrates, é por essa razão que o branco dos olhos revira, a mulher fica fria e por vezes lívida, e a saliva flui à boca fazendo-a sucumbir asfixiada se assemelhando aos ataques epilépticos. Descrição precisa daquilo que, muito mais tarde, Charcot vai nomear de ataque histérico completo.
O que vale destacar é a ideia corrente nesse período de que a mulher se distingue do homem por esta característica singular de encerrar em seu ventre um animal que não tem alma. Platão, amigo de Hipócrates, afirma que:
Na seção mais baixa sob o baixo ventre reside a matriz. E aí estamos na animalidade pura [...]. Na mulher, o que se chama de matriz ou útero é como um ser vivo possuído pelo desejo de fazer crianças [...] e que, ao permanecer estéril, se irrita perigosamente, se agita em todos os sentidos, obstrui as passagens de ar, remetendo o corpo às piores angústias (Trillat, 1991: 23).
Somente à época romana, devido aos movimentos de libertação das mulheres e dos escravos, iniciaram-se algumas mudanças nos tratamentos bárbaros dirigidos às histéricas cujo objetivo era fazer descer o útero, que teria se deslocado em direção à cabeça. De um modo ou de outro, a violência tem acompanhado os chamados tratamentos dos sintomas histéricos: extirpação do útero, internações forçadas, ou mesmo a camisa de força química. O que se retrata, através dos tempos, é a intolerância dos discursos instituídos em relação à posição histérica, ou melhor, ao discurso da histérica, como ensina Lacan (19691970/1992), cujo agente é o sujeito dividido marcado pela falta.
A posteridade vai reter da herança médico-filosófica uma importante observação: que a história da histeria é estreitamente ligada à história da epilepsia. Tanto uma quanto a outra se traduzem em manifestações corporais espetaculares que inspiram desde o temor até a compaixão. A violência do ataque deixa o sujeito aturdido e inconsciente em relação ao que passou. Hipócrates, ao localizar a epilepsia no cérebro, destrói as crenças que a rondavam. A histeria teve que esperar alguns séculos para com Charcot e, depois, com Freud ter um destino semelhante.
Um longo caminho ainda seria percorrido durante toda a Idade Média quando milhares de mulheres designadas como bruxas foram queimadas vivas. No século XVII, se estabelecerá uma verdadeira luta pela posse da histeria, campo de batalha entre religiosos e médicos, desencadeando um processo de dessacralização da temática que revela que, através dos tempos, a histeria tem se transvertido tanto numa questão sobrenatural quanto natural (científica).
Tratada por padres, médicos, taumaturgos do mesmo modo que, nas chamadas sociedades tradicionalistas, ela ainda pertence aos xamãs, feiticeiros e curandeiros, a histeria tem se constituído numa espécie de porta-voz daquilo que é o impossível da cultura.

CHARCOT: UM MESTRE GENIAL
Ao final do século XIX, Charcot, médico neurologista, e seus alunos ampliam a pesquisa histórica em torno da histeria, mostrando que os casos de convulsões, as epidemias, anestesias que atravessaram os séculos eram fenômenos semelhantes àqueles apresentados pelas loucas acolhidas na Salpêtrière. Ao afirmar a autenticidade e objetividade dos fenômenos histéricos Charcot realiza um gesto libertador em relação à histeria, semelhante àquele realizado por Pinel em relação à doença mental.
Ao ler as Leçons du mardi, torna-se fácil compreender o impacto que esse brilhante conferencista e escritor causou no, então, neurologista Sigmund Freud quando este recebe uma bolsa de estudos para aprofundar os estudos em Paris. As aulas e apresentações de doentes de Charcot atraíam alunos de todo o mundo e dentre eles o mais importante foi sem dúvida Freud.
Charcot rompe com a tradição da visita médica ao leito dos doentes fazendo-os vir até seu gabinete para examiná-los ou os apresentava a uma audiência mais ampla nas terças-feiras no Hospício da Salpêtrière. Dessa forma constrói um novo sentido para a ideia de clínica, que etimologicamente significa consulta ao leito do paciente. As suas pesquisas com a hipnose desencadearam o interesse científico por essa prática, que durante muito tempo foi relegada ao limbo das apresentações circenses.
Ao descrever a chamada Grande histeria, composta de quatro etapas completas, viabiliza que a histeria ocupe um lugar de interesse médico e científico, retirando-lhe a conotação preconceituosa que o rótulo de "doentes detestáveis" bem expressava. Denunciou, por outro lado, as práticas intervencionistas cirúrgicas, muito comuns nessa época, que extirpavam o órgão - útero e ovários - com a justificativa de cura da doença histérica. Quanto à acusação de que seria de algum modo responsável por essas práticas afirma:
Jamais aconselhei que os ovários fossem extirpados. Não sou tão simplista assim, e penso que se trata de algo muito mais complexo [...]. Essa posição não tem pé nem cabeça. Se fosse assim, seria preciso retirar um pedaço da pele das costas para suprimir as placas histerógenas (Charcot, 1887-1889/2003: 21).
Além disso, com suas apresentações de pacientes apontou a presença da histeria para ambos os sexos, demonstrando que até mesmo "um ferroviário [...] um homem vigoroso!" (Charcot, 1887-1889/2003: 19) pode ser acometido pela doença. Esse fato abriu a discussão sobre a relação entre a referida patologia e a frequência das licenças de trabalho, que ainda hoje desnorteiam alguns médicos.
Apesar de o interesse de Charcot não ser etiológico ou mesmo terapêutico, mas descritivo e nosológico, seu vasto trabalho de pesquisa viabilizou encontrar analogias surpreendentes entre os dois tipos de anestesia ou paralisia - histérico e neurológico -, introduzindo uma diferenciação entre a chamada "lesão anatômica" e a "lesão dinâmica" que abriu o caminho para a elaboração freudiana da causalidade psíquica na histeria.
A genialidade do mestre e seu impacto no percurso freudiano é bem explicitado, em 1885, numa carta que Freud endereça à futura esposa:
As vezes saio de suas aulas como de Notre-Dame, com uma ideia totalmente nova da perfeição. Fico exaurido e depois de estar com ele não tenho nenhum desejo de trabalhar com minhas bobagens [...]. Meu cérebro se satura como se tivesse passado uma noite no teatro. Não sei se essa semente dará frutos, porém o que posso afirmar é que ninguém tinha me afetado de tal maneira (Freud, 1893/2007: 10).
Os frutos sem dúvida foram abundantes e a importância de Charcot para o nascimento da clínica psicanalítica mereceria um trabalho à parte. Destaco alguns pontos fundamentais: a definição de zona histerógena, a classificação cuidadosa dos fenômenos histéricos, permitindo a identificação de uma lei subjacente a sua ocorrência, a dissolução do preconceito que ligava a histeria à feminilidade, a denúncia das práticas violentas como forma de tratamento, o rompimento com a tradição da visita médica ao leito dos doentes fazendo-os vir até seu gabinete para examiná-los e o estabelecimento do uso do hipnotismo como instrumento de pesquisa, que são fatores indiscutíveis que influenciaram Freud a prosseguir em sua própria pesquisa.
Talvez essa influência tão determinante justifique por que Freud adiou por tanto tempo - sete anos - uma publicação, aparentemente solicitada pelo mestre, no ano de 1886, versando sobre um estudo comparativo das paralisias orgânicas e histéricas. Publicação que revelaria os aspectos discordantes da posição freudiana em relação àquela, defendida por Charcot, de lesão funcional subjacente aos distúrbios histéricos. O fato é que esse artigo, publicado em 1893, se constituiu num verdadeiro divisor de águas entre os escritos neurológicos e psicológicos de Freud. Momento decisivo expresso na afirmação de que:
a lesão nas paralisias histéricas deve ser completamente independente da anatomia do sistema nervoso, pois nas suas paralisias e em outras manifestações a histeria se comporta como se a anatomia não existisse [...]. A histeria ignora a distribuição dos nervos [...] toma os órgãos pelo sentido comum, popular, dos nomes que eles têm: a perna é a perna até sua inserção no quadril, o braço é o membro superior tal como aparece visível sob a roupa (Freud, 1893-1895/2007: 206).
Conclui, considerando que a lesão nas histerias diz respeito à incapacidade do órgão ou função em exame de ter acesso às associações do ego consciente.
A experiência da histeria no século XIX está intimamente ligada a uma clínica do olhar. Charcot foi considerado um mestre visual, o que lhe permitiu ver e ordenar os fenômenos criando as condições de delimitação dessa problemática comparativamente com outras patologias. Sua preocupação com a observação era tão grande que criou um laboratório fotográfico no hospício. O fato é que, com Charcot, a cena histérica ganha estatuto de interesse investigativo viabilizando as descobertas freudianas.

O CORPO NA HISTERIA
Meu interesse pelo tema da histeria de conversão se inscreve num conjunto mais amplo de interrogações sobre o estatuto do corpo na psicanálise e suas interfaces com o campo médico. O reconhecimento da hegemonia do discurso médico no campo social, em sua lógica organicista, aliada à expansão da demanda social por medicamentos para aplacar as diferentes formas de sofrimento, confronta o psicanalista com a premência do estudo das diferentes etiologias no campo psicopatológico e com a importância do diagnóstico diferencial, temas, exatamente, relegados pela atual Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
A histeria de conversão é paradigmática nesse campo de investigação. Dito de outro modo: é diante da impossibilidade de o discurso médico responder aos sintomas somáticos da histeria de conversão que emerge o desejo de saber em Freud, dando origem à psicanálise. Considero que é a retomada dessa discussão inicial que pode viabilizar um trabalho de distinção com outras formas de sofrimento que têm no corpo o personagem principal.
Nos primeiros trabalhos freudianos a expressão histeria de conversão não é utilizada porque o mecanismo da conversão caracterizava, até então, a histeria em geral. É o que se verifica nos "Estudos sobre a histeria" (Freud, 1893-1895/2007) e, especialmente, na apresentação do caso Elisabeth quando Freud descreve o mecanismo subjacente à conversão. É somente, em 1909 (2007), na "Análise de uma fobia em um menino de cinco anos" que Freud vai designar uma pura histeria de conversão sem qualquer angústia diferenciando-a da histeria de angústia propriamente dita e da fobia.
Os "Estudos sobre a histeria", que foram escritos e publicados no período entre 1893-1895 (2007), compõem-se de cinco casos clínicos, quatro escritos por Freud e um por Breuer. O último e mais longo de todos - o caso Elisabeth - é dividido por Freud em três etapas e concluído através de uma discussão sobre o mecanismo da conversão.
Nesse trabalho, afirma que é comum se verificar na pré-história da histeria um período de cuidados e de atenção às pessoas doentes - espécie de submissão à demanda do Outro - por um longo período de tempo, o que justificaria a supressão das próprias emoções do sujeito. Em outras palavras, um fluxo de ideias é excluído em favor dos deveres morais dirigidos ao outro amado. Afirma que o mecanismo defensivo aí presente consiste no fato de que um grupo de representações tende a perder sua força quando se lhe retira a moção afetiva correspondente. É essa moção de afeto que é escoada para o corpo na forma dos verdadeiros ataques histéricos, ou projetada para fora constituindo as alucinações ou delírios histéricos. É esse quantum de excitação que, na histeria de angústia, é sentido no corpo como angústia, desprazer experimentado na forma flutuante, ou localizado em determinados objetos, como é o caso das fobias. Freud chama a atenção para o fato de que a conversão é o mecanismo mais eficaz para eliminar a angústia, oriunda das representações em conflito, justificando a chamada la belle indifference des hystériques.
Freud coloca em destaque que o processo de recalque na histeria de conversão se conclui na formação do sintoma e não necessita prosseguir indefinidamente como na histeria de angústia (Freud, 1915b/2007: 151). Afirma que o mecanismo da regressão aí presente justificaria a eficácia do processo, mas adia sua discussão para mais adiante, provavelmente no artigo metapsicológico extraviado que seria dedicado à histeria de conversão.
Nos "Estudos", a questão freudiana é a delimitação do fator quantitativo aí presente, ou seja, o reconhecimento de que haveria um "grau máximo de tensão emotiva que o organismo poderia tolerar...". E a hipótese de que "quando essa quantidade é aumentada pela somação, até um ponto além da tolerância do indivíduo, dar-se-ia o ímpeto à conversão" (Freud, 1893-1895/2007: 187).
Freud ressalta a relação simbólica entre os sintomas somáticos e as ideias ou representações que sofrem o recalque como, por exemplo, as terríveis dores de cabeça de Fräu Cäcilie associadas ao olhar penetrante da avó que, no dizer da paciente, iam direto para o seu cérebro. A palavra não dita, ou mal-dita, se fixa se inscrevendo no corpo como símbolo mnêmico. Como indica Freud, há "uma reanimação das sensações a que a expressão linguística deve sua justificação" e "a histeria restabeleceria para suas inervações mais intensas o sentido originário das palavras" (Freud, 1893-1895/2007: 193).
Prossegue considerando que acha incorreto dizer que essas sensações são criadas mediante a simbolização, mas que algo aí se alimenta junto com o uso linguístico de uma fonte comum (Freud, 1893-1895/2007: 193). Destaca que os movimentos clônicos de agitar-se e do debater-se, que é a parte puramente motora do ataque histérico, seguem sendo durante toda a vida a forma de reação para a excitação máxima (Freud, 1893-1895/2007: 216) e ocupam o lugar de uma lembrança originária.
Encontra-se, aqui, uma das distinções possíveis entre os sintomas de conversão e os chamados fenômenos psicossomáticos, ou seja, nos primeiros verifica-se a presença de uma ligação simbólica entre a representação recalcada e a parte do corpo adoecida. Nesses casos há, de fato, um significado psíquico inconsciente, sexual, originário. Com relação aos fenômenos psicossomáticos, o corpo denunciaria a ausência do trabalho de simbolização. Como indica Lacan (1963-1964/1988), nesses casos o corpo estaria marcado por um significante único, inviabilizando-se a constituição de uma cadeia significante, um desdobramento no campo do sentido e, consequentemente, da verdade inconsciente para o sujeito.
Não seria correto, portanto, incluir os fenômenos psicossomáticos na categoria de sintomas. O sintoma é uma forma de gozo que se exila no deserto do corpo (Soller, 1983) ou, como nos ensina Freud, uma forma de ganho secundário, inscrito na dimensão de uma fala inconsciente. Os fenômenos psicossomáticos, por outro lado, implicam num fechamento do gozo num ponto do corpo, evocando a possibilidade de situá-los do lado das neuroses atuais, como indica Trillat (1991). Freud considera as neuroses atuais como o núcleo das psiconeuroses - "o grão de areia no centro da pérola" (Freud, 1912/2007: 257) -, o que abre um importante campo de pesquisa para a clínica psicanalítica. Sugiro, aqui, que tal grão de areia ganha expressão clínica exatamente no termo freudiano solicitação somática.

SOLICITAÇÃO SOMÁTICA: SOBRE O "EMPUXO" AO ORGÂNICO
Freud denomina de solicitação somática a propensão de algumas pessoas a transformar a dor psíquica em dor física, indicando, ainda, que a presença de doenças físicas anteriores à conversão favoreceria a localização do sintoma em uma determinada área do corpo (Freud, 1893-1895/2007). A presença de doenças físicas facilita a descarga do afeto "porque satisfaz", como indica, "o princípio de menor resistência" (Freud, 1893-1895/2007: 219), favorecendo um escoamento direto da excitação psíquica.
Mas como entender a noção freudiana de solicitação somática que serve como destino para esse a-mais de excitação presente na histeria de conversão?
Uma primeira e importante referência ao tema encontra-se no artigo sobre o caso Dora (Freud, 1901/2007). Freud indica que o sintoma histérico não se produz sem a presença dessa solicitação somática oferecida por um processo no interior de um órgão do corpo, apontando, assim, a influência mútua entre o somático e o psíquico. Também destaca a presença de um ganho primário no mecanismo da conversão ao se apresentar como uma solução mais econômica, à medida que poupa o sujeito de um trabalho psíquico.
Encontram-se, ainda, duas outras referências à expressão solicitação somática: uma no artigo "A concepção psicanalítica da perturbação psicogênica da visão" (Freud, 1910/2007) e outra em "Contribuições para um debate sobre o onanismo" (Freud, 1912/2007).
No primeiro trabalho, Freud enfatiza que sempre que um órgão que serve a uma pulsão tem sua erogeneidade incrementada, há uma perturbação da função desse mesmo órgão, tratando-se aqui da parte constitucional da disposição para o adoecer. No segundo, contrapondo-se à tentativa de Stekel de ampliar em demasia o que denomina de psicogenia das doenças, reafirma a antiga distinção entre neuroses atuais e psiconeuroses. Destaca que são as neuroses atuais que fornecem a solicitação somática que fundamenta as psiconeuroses, ou seja, trata-se de uma quantidade de excitação que é selecionada e revestida psiquicamente, ou seja, representada, constituindo o núcleo do sintoma histérico. Em outras palavras, afirma que a neurose de angústia é o equivalente somático da histeria.
As neuroses de angústia, segundo Freud, apresentam duas formas de emergência: como ataques de angústia e como um estado crônico, mais brando e com aparecimento flutuante. A descrição freudiana dessa modalidade neurótica se assemelha bastante ao que é denominado pela psiquiatria contemporânea de transtornos de ansiedade, que envolvem os ataques de pânico e a ansiedade generalizada.
Freud supunha que essa afecção - a neurose de angústia - seria causada por certas técnicas de contracepção, como, por exemplo, o coitus interruptus. Ele destaca que tudo depende simplesmente do receio de, ao utilizar essa técnica sexual, o sujeito privar o parceiro de satisfação sexual. Vai observar, também, que devido a esse receio a neurose de angústia é acompanhada por um decréscimo da libido sexual, ou seja, do desejo psíquico. Estabelece, então, que o mecanismo da neurose de angústia deva ser procurado no que denomina uma deflexão da excitação sexual somática da esfera psíquica.
Temos, assim, nas neuroses de angústia, um processo quase que exclusivamente somático, pois uma excitação libidinal é provocada, mas não é satisfeita, nem empregada. Não ocorre o circuito pulsional com a descarga correspondente, mas, pode-se dizer, um curto-circuito. A transformação direta da libido em angústia, referida por Freud, assinala o fracasso do trabalho psíquico de ligar as representações psíquicas ao excesso da excitação. No caso da histeria de conversão, há uma eficácia na evitação da angústia exatamente pela conversão da libido numa parte do corpo simbolicamente delimitada.
Lacan (1962-1963/2005), no seu seminário sobre a angústia, reinterpretará as palavras freudianas da seguinte maneira: na neurose de angústia, a angústia aparece na medida em que o orgasmo se desliga do campo da demanda ao Outro. Considera que Freud, ao situar no coitus interruptus a fonte da angústia, colocou em destaque que este afeto é promovido em sua função essencial justamente ali onde a intensificação orgástica é desvinculada do exercício do instrumento fálico. Ou seja, o sujeito pode chegar à ejaculação, mas é uma ejaculação do lado de fora, e a angústia é provocada pelo fato de o instrumento fálico, ou melhor, o significante fálico ser posto fora de jogo no gozo. Já na histeria de conversão uma parte do corpo, ao agregar um excedente de excitação ou libido, torna-se uma verdadeira zona histerogênica, como nomeou Charcot, fazendo de uma área do corpo o lugar de articulação entre o gozo e o desejo.
Prossigo com o tema da solicitação somática. Em 1914 (2007), Freud retoma a discussão à luz do narcisismo e da teoria da libido. Seguindo uma indicação de Ferenczi sobre a influência da enfermidade orgânica na distribuição da libido, considera que a pessoa afligida por uma dor orgânica e por sensações penosas suspende seu interesse pelas coisas do mundo, deixa de amar retirando seu interesse libidinal pelos objetos. Como não lembrar que é exatamente depois de uma decepção amorosa que Fraülein Elisabeth passa a sofrer mais intensamente de suas dores nas pernas? Fato que permite a conclusão de que o mecanismo da conversão satisfaz a libido do eu.
A questão da presença do mecanismo da regressão na histeria de conversão foi trabalhada num interessante artigo de Ferenczi denominado "Fenômenos de materialização histérica", de 19193. Afirma que a conversão no corpo consiste essencialmente em realizar um desejo, como por mágica, a partir da matéria de que o sujeito dispõe em seu corpo e dar a ela uma representação plástica primitiva como um artista que modela um material como quer, ou como os ocultistas que, ao simples pedido de um médium, representam a "vinda" ou a "materialização" de certos objetos. Denomina de regressão tópica o fato de que diante de uma impossibilidade de representação psíquica a excitação excessiva precisa ser liberada pela descarga motora.
Segue afirmando que no plano temporal essa regressão tópica corresponde a uma etapa precoce quando o organismo - ainda incapaz de proceder a modificações da realidade - se caracterizava por uma tendência primitiva de modificação do próprio corpo (autoplástico). Momento em que o psíquico não se distingue do físico. Trata-se de uma etapa, como afirma o autor, em que o desejo se satisfaz pela via reflexa. Dessa forma indica que:
Na histeria, todos esses mecanismos fisiológicos se põem à disposição de moções de desejos inconscientes e, por um reviramento completo do curso normal da excitação, um processo puramente psíquico pode assim se exprimir numa modificação fisiológica do corpo (Ferenczi, 1919: 137).
Fala sobre a constituição de um verdadeiro idioma histérico, de um jargão simbólico que aí se constitui, feito de alucinações e de materializações corporais, ou seja, os sintomas histéricos submetem inteiramente ao princípio de prazer os órgãos de importância vital sem nenhuma consideração pelas suas próprias funções utilitárias.
Essa articulação primária do físico com o psíquico pode ser resgatada através das noções de erogeneidade e zona erógena presentes nos trabalhos freudianos.
No já referido artigo sobre o narcisismo, Freud (1914/2007) descreve a erogeneidade como uma propriedade geral de todos os órgãos do corpo, fenômeno que não se confunde com a noção de zona erógena. Na primeira trata-se de algo quantitativo que pode aumentar ou diminuir e que parece se aproximar da noção de fonte das pulsões sexuais. A ideia de fonte, articulada às noções de objeto, alvo e pressão, constitui um dos quatro elementos da pulsão (Freud, 1915a/2007), o que leva Lacan a considerar a ideia de um circuito no campo das pulsões sexuais, circuito que vai delimitar o corpo em zonas erógenas. Como o nome indica, tratar-se-ia de uma área do corpo que se constitui em função da representação psíquica, isto é, do processo de simbolização que ocorre a partir do encontro com o desejo do Outro (Lacan, 1963-1964/1988).
Uma primeira discussão sobre a questão das fontes das pulsões encontra-se no artigo "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" (Freud, 1905/2007). Apesar de Freud sempre apontar para a natureza enigmática dessas fontes indicando que o estudo das mesmas extrapolaria o campo da psicanálise, considera que talvez "nada de considerável importância ocorra no organismo sem contribuir com algum componente para a excitação da pulsão sexual" (Freud, 1905/2007: 186) e que a qualidade do estímulo é que é, sem dúvida, decisiva, ainda que o fator da intensidade (no caso da dor) não seja de todo indiferente.
As chamadas pulsões parciais derivam diretamente dessas fontes internas ou são composições de elementos oriundos tanto dessas fontes como das zonas erógenas. Por outro lado, sugerindo que se suspenda temporariamente a ideia de fonte da pulsão sexual, aponta para a presença do que denomina de influência mútua entre o sexual e o orgânico propriamente dito. Vai afirmar que "uma boa parte da sintomatologia das neuroses que deriva de perturbações dos processos sexuais se exterioriza em perturbações de outras funções não sexuais, do corpo". Tal fato "representa a contraparte das influências que presidem a produção da excitação sexual" (Freud, 1905/2007: 187).
A ideia de uma solicitação somática relacionada à noção de fonte das pulsões sexuais parece se esclarecer efetivamente com a introdução do conceito de pulsão de morte (Freud, 1920/2007), mais especificamente no artigo de 1924a (2007) "O problema econômico do masoquismo". Nesse importante trabalho, após estabelecer as diferenças entre o Princípio do Nirvana, articulado à pulsão de morte, e o Princípio de Prazer, base da pulsão de vida, Freud distingue três tipos de masoquismo: o erógeno, o feminino e o moral. É o primeiro - o masoquismo erógeno - aquele que se encontra no fundamento dos outros dois, atribuindo-lhes bases biológicas e constitucionais.
Considera que a presença de prazer no sofrimento deve-se, exatamente, à existência de uma erogeneidade primária dos órgãos atribuída às fontes da sexualidade infantil, espécie de mecanismo fisiológico infantil em que coexistem libido e tensão dolorosa - base onde se erige o masoquismo erógeno.
A libido tem a missão de tornar inócua uma parte da pulsão de morte desviando-a para fora, ou seja, para os objetos do mundo externo, através do aparelho muscular, e colocando-a diretamente a serviço da função sexual. Esse é o sadismo propriamente dito. A outra parte não compartilha desse destino, permanecendo dentro do organismo, onde se prende libidinalmente - aqui aparece um indicativo da noção de narcisismo originário, ou eu-ideal, que será elucidado no esquema óptico, introduzido por Lacan (1954-1955/1997) para descrever a constituição do sujeito.
Depois que uma parte da pulsão de morte foi projetada para fora sobre os objetos, permanece como seu resíduo o genuíno masoquismo erógeno, que tem um aspecto componente da libido e outro que segue tendo como objeto o próprio sujeito, ou seja, seu corpo. Apesar de reconhecer uma ausência de compreensão fisiológica de como ocorre a sujeição da pulsão de morte, Freud afirma que normalmente não temos que lidar com uma presença pura da pulsão de vida e da pulsão de morte, mas de uma fusão das duas em proporções variáveis em cada caso particular. No entanto, não deixa de prever que, em função de uma série de fatores, a uma fusão das pulsões pode corresponder uma desfusão delas, fato que se expressaria em diferentes formas patológicas. Trata-se, aqui, de variações nos processos de simbolização que viabilizariam diferentes modalidades de defesa para o sujeito em sofrimento.
Podemos supor que na histeria de conversão a chamada solicitação somática indica o caminho de volta da libido a esse masoquismo erógeno que é facilitado tanto pela presença de uma doença orgânica prévia, quanto pelo fato de essa parte do corpo estar carregada de sentido simbólico, como no caso das dores na perna de Elisabeth, área em que o pai convalescente descansava as próprias pernas. Esse processo é chamado por Freud de masoquismo secundário, testemunhando em seu retorno a articulação tão fundamental entre pulsão de vida e pulsão de morte, fato que talvez sirva de referência para pensarmos outras situações clínicas em que essa articulação não se viabilize tão eficazmente.
Concluindo, levanto a hipótese de que a eficácia do sintoma corporal, referida por Freud já em seus primeiros trabalhos, indica a presença radical de um empuxo ao orgânico (solicitação somática) que, na tentativa de excluir o trabalho psíquico, coloca em destaque essa tendência primária - além do princípio de prazer - que a ideia lacaniana de gozo irá circunscrever. Como afirma Lacan (1967/2003: 357), "é pelo gozo que a verdade vem resistir ao saber. É isso que a psicanálise descobre naquilo a que se chama sintoma".

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Charcot, J.-M. (1887-1889/2003). Grande histeria. Rio de Janeiro: Contra-Capa.
Ferenczi, S. (1919). Fenômenos de materialização histérica. Escritos psicanalíticos (pp. 131-143). Rio de Janeiro: Taurus.
Freud, S. (1893/2007). Charcot. Obras completas, v. III. Buenos Aires: Amorrortu.
Freud, S. (1893-1895/2007). Estudios sobre la histeria. Obras completas, v. II. Buenos Aires: Amorrortu.
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Freud, S. (1905/2007). Tres ensayos de teoría sexual. Obras completas, v. VII. Buenos Aires: Amorrortu.
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Freud, S. (1915a/2007). Pulsiones y destinos de pulsión. Obras completas, v.XIV. Buenos Aires: Amorrortu.
Freud, S. (1915b/2007). La represión. Obras completas, v. XIV. Buenos Aires: Amorrortu.
Freud, S. (1920/2007). Más allá del principio de placer. Obras completas, v.XVIII. Buenos Aires: Amorrortu.
Freud, S. (1924a/2007). El problema econômico del masoquismo. Obras completas, v. XIX. Buenos Aires: Amorrortu.
Freud, S. (1924b/2007). La perdida de realidad en la neurosis y la psicosis. Obras completas, v. XIX. Buenos Aires: Amorrortu.
Lacan, J. (1954-1955/1997). O seminário, livro 2: o eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1962-1963/2005). O seminário, livro 10: a angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1963-1964/1988). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1967/2003). Da psicanálise em suas relações com a realidade. Outros escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Lacan, J. (1969-1970/1992). O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
Soller, C. (1983). O corpo no ensino de Jacques Lacan. Mimeo, Papéis do Simpósio do Campo Freudiano de Belo Horizonte, 1989.
Trillat, E. (1991). História da histeria. São Paulo: Escuta.

NOTAS
1 Trabalho apresentado no II Encontro Nacional e II Colóquio Internacional do Corpo Freudiano - Escola de Psicanálise Histeria, obsessões e fobia: a neurose em análise, em outubro de 2010, no Rio de Janeiro.
2 Freud utiliza a expressão alemã somatisches Entgegenkommen traduzida por facilitación somática, solicitación somática, compiancenza somática e somatic compliance. Em português temos duas traduções: complacência somática, submissão somática. O termo solicitação somática aqui utilizado é uma tradução livre do espanhol em função da sua articulação com as ideias de atração, indução e incitação, que considero que melhor se coadunam com a perspectiva freudiana.
3 Esse texto foi indicado por Freud no artigo, de 1924b (2007), "A perda da realidade na neurose e na psicose".


Recebido em 03 de maio de 2011
Aceito para publicação em 11 de outubro de 2011 


http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-48382012000100006&lng=pt&nrm=iso

HISTERIA

                                                               HISTERIA

 
          A histeria é uma psiconeurose cujos conflitos emocionais inconscientes surgem na forma de uma severa dissociação mental ou como sintomas físicos (conversão), independentemente de qualquer patologia orgânica ou estrutural conhecida, quando a ansiedade subjacente é 'convertida' num sintoma físico.
          O termo origina-se do grego, hystéra, que significa útero. Uma antiga teoria sugeria que o útero vagava pelo corpo e a histeria era considerada uma moléstia específicamente feminina, atribuída a uma disfunção uterina. Na verdade, os sintomas histéricos podem se manifestar em homens e mulheres e são mais comumente observados na adolescência.
          No final do século XIX, Jean Martin Charcot (1825-1893), um eminente neurologista francês, que empregava a hipnose para estudar a histeria, demonstrou que idéias mórbidas podiam produzir manifestações físicas. Seu aluno, o psicólogo francês Pierre Janet (1859-1947), considerou como prioritárias, para o desencadeamento do quadro histérico, muito mais as causas psicológicas do que as físicas.
         Posteriormente, Sigmund Freud (1856-1939), em colaboração com Breuer, começou a pesquisar os mecanismos psíquicos da histeria e postulou em sua teoria que essa neurose era causada por lembranças reprimidas, de grande intensidade emocional.
         Casos clássicos de histeria, como aqueles frequentemente descritos pelos médicos do século XIX, atualmente são raros e a maioria das psiconeuroses são formas mistas, nas quais os sintomas histéricos podem estar mesclados com outros tipos de distúrbios neuróticos.
       Os sintomas sensoriais e motores da histeria são denominados conversão pois geralmente não seguem as costumeiras inervações do sistema nervoso.

           Os distúrbios sensoriais podem:

  • abranger os sentidos da visão, audição, paladar e olfato;

  • variar desde sensações peculiares até a hipersensibilidade ou anestesia total;

  • causar grande sofrimento com dores agudas, para as quais nenhuma causa orgânica pode ser determinada.
           Os distúrbios motores podem incluir uma gama de manifestações, como paralisia total, tremores, tiques, contrações ou convulsões. Afonia, tosse, náusea, vômito, soluços são muitas vezes de origem histérica.
          Episódios de amnésia e sonambulismo são considerados reações de dissociação histérica.http://www.freudpage.info/freudhisteria.html
 


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Diferenças entre hipotireoidismo e o hipertireoidismo

Diferenças entre 

hipotireoidismo e o hipertireoidismo

Problemas na tireoide afetam mais de 15% dos brasileiros, e muitos deles não sabem

Por Fernando Menezes - publicado em 30/11/2010

Cerca de 15% da população sofre com problemas na tireoide, o que coloca essas doenças entre as que mais atingem os brasileiros, principalmente o sexo feminino, de acordo com o censo do IBGE, Outro dado da instituição afirma que cinco milhões de mulheres não sabem que tem algum tipo de disfunção na tireoide por falta de conhecimento dos sintomas.

"Os maus que mais acometem a tireoide são o hipotireoidismo, o hipertireoidismo e a aparição de nódulos benignos nessa glândula. Todas essas alterações podem ser tratadas sem maiores problemas se diagnosticadas rapidamente. Contudo, como os sintomas são difíceis de detectar, uma grande parte das pessoas que sofre com problemas na tireoide não consegue identificar o problema", explica Pedro Saddi, endocrinologista da Unifesp. 
Dor de barriga
A tireoide, que se localiza no pescoço, libera dois hormônios essenciais para o bom funcionamento do organismo, o T3 (tri-iodotironina) e o T4 (tiroxina). Eles regulam a velocidade do metabolismo e interferem no desempenho de órgãos importantes, como o coração, rins e também no ciclo menstrual. Por isso, qualquer disfunção na tireoide afeta várias funções vitais do nosso corpo. É importante, portanto, conhecer as principais diferenças entre as duas doenças mais comuns na tireoide: o hipotoreoidismo e o hipertireoidismo. Confira aqui. 

O hipotireoidismo

O hipotireoidismo pode ser classificado como a baixa produção dos hormônios produzidos pela tireoide. O sexo feminino é mais afetado com essa falha na produção no T3 e T4. Estimativas feitas pelo IBGE dizem que atinja cerca de 10 vezes mais as mulheres do que os homens. Isso acontece principalmente no climatério, última menstruação antes da menopausa, quando o tipo mais comum de hipotireoidismo, a Tireoidite de Hashimoto, se mostra mais comum. 
"Os sintomas de hipotireoidismo podem ser resumidos em todos aqueles sinais de que o metabolismo está desacelerado"
O hipotireoidismo pode ser causado por uma série de motivos, embora o mais frequente seja uma variação autoimune, quando o próprio corpo começa a atacar a tireoide. Esse tipo de hipotireoidismo é classificado como Tiroidite de Hashimoto. "A doença de Hashimoto corresponde a 95% dos casos de hipotireoidismo. Ela acontece quando os próprios anticorpos do organismo encaram a glândula tireoide como um corpo estranho no organismo", diz a endocrinologista e metabologista Gláucia Duarte, da USP.

Outro fator que pode causar o hipotireoidismo é a quantidade de iodo no organismo. Tanto altas doses como baixos níveis dessa substância no organismo podem afetar a produção dos hormônios T3 e T4.  

Sintomas

Os sintomas podem ser resumidos em todos aqueles sinais de que o metabolismo está desacelerado, como menor número de batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, diminuição da memória, cansaço excessivo e dores musculares.

Outros sintomas como pele seca, queda de cabelo, ganho de peso, aumento de colesterol no sangue e alterações no humor - que normalmente leva à depressão-, também são observados em pessoas que têm hipotireoidismo. "Esses sintomas não aparecem repentinamente, ou em conjunto, e podem variar de pessoa para pessoa", diz Glaucia Duarte. Por isso, é difícil fazer o diagnóstico precocemente. 

Alimentação

Carne de peixe
Segundo Glaucia Duarte, a alimentação não determina o surgimento da doença. Como fator de proteção, os alimentos ricos em selênio são uma boa opção."O selênio parece contribuir para o bom funcionamento tireoidiano. Além disso, este mineral tem um papel antioxidante, que também age no controle de radicais livres que podem causar danos às células saudáveis do corpo. As melhores fontes de selênio encontradas na natureza são peixes, alho, cebola, pepino e cogumelo", explica Gláucia Duarte. 
Outro nutriente que pode fazer bem a tireoide é o iodo. "Os fabricantes de sal de são obrigados por lei a colocar uma quantidade de iodo que possa prevenir doenças na tireoide. A ingestão de frutos do mar e algas, também ajuda a aumentar os níveis de iodo no organismo", explica o endocrinologista Pedro Saddi. Não é preciso salgar demais a comida, já que ingerir mais do que seis gramas de sal e de iodo pode até ser prejudicial à saúde da tireoide. 
Sal
Mas, de acordo com Gláucia Duarte, existem alimentos conhecidamente bociogênicos (causadores do aumento do volume da tireoide), e seu consumo não deve ser exagerado, já que, somados com outros fatores como pré-disposição genética e falta de iodo no organismo, podem causar problemas na tireoide. Entre esses alimentos estão o repolho, couve-de-bruxela, brócolis, espinafre e couve-flor. 

Tratamento

O tratamento consiste na reposição hormonal, em geral, à base de levotiroxina (L-T4). "O comprimido é tomado uma vez ao dia, cedo, em jejum. Solicita-se que a alimentação ocorra somente após 30 minutos da ingestão da medicação, pois os alimentos aumentam o pH estômago, diminuindo a absorção da levotiroxina", explica Glaucia. 

O hipertireoidismo

depressão
O hipertiroidismo, mesmo sendo um pouco menos comum que o hipotireoidismo, ainda afeta milhões de pessoas no Brasil, segundo dados do IBGE. Assim como o hipotireoidismo, o hipertireoidismo é mais comum nas mulheres. "O sexo feminino está mais propenso a ter essa doença. Os números da Organização Mundial da Saúde estimam que as mulheres sofrem até cinco vezes mais com o hipertireoidismo do que os homens", diz Gláucia Duarte. 

Causas

A causa mais comum de hipertiroidismo é quando a glândula da tireoide encontra-se exageradamente ativa, produzindo uma excessiva quantidade de hormônios, condição denominada também de bócio difuso tóxico ou Doença de Graves.

Outros problemas, como tumores e excesso de iodo no organismo também podem fazer com que a tireoide passe a produzir uma quantidade maior de T3 e T4, causando assim mudanças em todo o corpo.  

Sintomas

Os principais sintomas do hipertireoidismo são o oposto do hipotireoidismo, ou seja, irregularidade e aceleração nos batimentos cardíacos, geralmente acima de 100 batimentos por minuto, nervosismo, mãos trêmulas e sudoreicas, ondas de calor repentinas, intestino solto, perda de peso acentuada sem intenção.

Alguns sintomas, no entanto, são os mesmos como enfraquecimento e queda de cabelos, fraqueza e dores musculares e alterações no ciclo menstrual. Ela também aumenta as chances de aborto e acelera a perda de cálcio dos ossos, com aumento do risco de osteoporose e fraturas. "A semelhança entre os sintomas é um fator que dificulta o diagnóstico do tipo de doença na tireoide. Por isso que os exames TSH sérico e ultrassom da tireoide são essenciais para fazer o diagnóstico", comenta Perdo Saddi.

Alimentação

Os principais sintomas do hipertireoidismo são o oposto do hipotireoidismo, ou seja, irregularidade e aceleração no metabolismo
O excesso de ingestão de iodo (alimentos ricos em iodo: ostras, moluscos e outros mariscos e peixes de água salgada, algas, consumo excessivo de sal iodado) pode, em indivíduos predispostos, levar ao quadro de hipertiroidismo e suas complicações (arritmias cardíacas, por exemplo), principalmente em idosos. 

Tratamento

De acordo com a endocrinologista Glaucia Duarte, o tratamento com medicamentos específicos, como Tapazol ou Propiltiouracil, que reduzem a função tireoidiana e controlam a produção hormonal pela tireoide, é o mais comum. Esses dois medicamentos são administrados pela via oral, e devem ser receitados por um médico. 
Outro tratamento bastante comum é com iodo radioativo, mais conhecido como radiodoterapia. Durante esse tratamento, a glândula tireoide absorve o iodo da circulação e quando ele penetra na glândula, começa a destruí-la lentamente. Esse processo pode durar meses, mas tem efeito definitivo. 
Nos casos em que a glândula foi afetada por um tumor, existe a opção da cirurgia para a retirada da tireoide, após isso deve haver o tratamento com medicamentos para a reposição hormonal. 

http://www.minhavida.com.br/saude/materias/12463-descubra-as-diferencas-entre-hipotireoidismo-e-o-hipertireoidismo#.UgJ4-3_3Mg8

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Seita prega o suicídio, o aborto, a eutanásia, o canibalismo, entre outras


5/08/2013 - 21:08 - Atualizado em 5/08/2013 - 21:13

Seita prega o suicídio, o aborto, a eutanásia, o canibalismo, entre outras

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5/08/2013 - 21:08 - Atualizado em 5/08/2013 - 21:13
 
Nevada Kerr, uma das porta-vozes da seita diz que a luta é contra a “débil moral cristã” e afirma que isso trará um “bem maior” para o mundo.
por Michael Caceres







Seita prega o suicídio, o aborto, a eutanásia, o canibalismo, entre outras A Igreja Morte ou Igreja da Eutanásia, grupo fundado há 40 anos, que diz lutar para oferecer “salvação para este mundo”, esta promovendo uma campanha em favor do suicídio. Os slogans das campanhas dizem “Salve o planeta, cometa suicídio” e “Viva Satanás”.
O grupo político procura dar um “tom sagrado” à sua luta em favor do aborto, da eutanásia, do suicídio, do canibalismo, entre outras causas no mínimo controversas. O site do grupo afirma que eles  “se dedicam a restabelecer o equilíbrio entre os seres humanos e as demais espécies na Terra”. O site traz uma chamada “Coma pessoas, não animais”, entre outros aspectos sombrios.
O fundador da Igreja Morte é um transexual chamado “Korda” e defende toda e qualquer variação de sodomia. Afirma também que o “sexo gay” seria a única forma segura de evitar a procriação da humanidade.
O grupo conseguiu reconhecimento religioso nos EUA e toma como base a liberdade de culto para promover suas campanhas. E tem como doutrina base para a suposta religião apenas um mandamento: “Não procriarás”. Dizem confessar quatro “pilares de fé: suicídio, aborto, canibalismo e sodomia”.
As autoridades da seita religiosa pelo mundo seriam as “bruxas” que são responsáveis por rituais de sacrifícios humano, principalmente de crianças. Nevada Kerr, uma das porta-vozes da seita diz que a luta é contra a “débil moral cristã” e afirma que isso trará um “bem maior” para o mundo.

http://www.gpsgospel.com.br/seita-prega-o-suicidio-o-aborto-a-eutanasia-o-canibalismo-entre-outras/

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Terapia Cognitivo-Comportamental

 
A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em contínuo desenvolvimento do funcionamento do cliente em termos cognitivos. Levanta hipóteses sobre eventos-chave, desenvolvimentais e atuais e padrões duradouros de interpretação desses eventos – crenças arraigadas, como atribuir conquistas à sorte e fracassos à falta de talento pessoal. No consultório, buscamos estabelecer uma aliança segura entre terapeuta e cliente, onde este sinta cordialidade, atenção, respeito genuíno, empatia e competência. Buscamos ouvir com atenção, resumir acuradamente, fazer apontamentos, questionamentos e indicações fundamentadas em nossas técnicas e experiências, sendo realisticamente otimista.
A participação ativa do paciente é incentivada, para que aos poucos vá adquirindo excelência em fazer seus próprios entendimentos mais acertados, com isso, na terapia estamos trabalhando também a prevenção de recaída. Orientada em metas, a Terapia Cognitivo-Comportamental enfatiza principalmente o funcionamento presente do cliente e aquilo que ele quer alcançar.
Ensinamos o cliente a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais, utilizando uma variedade de técnicas para reconstruir o pensamento, equilibrar as emoções e aprimorar o comportamento.
Exemplos de pensamentos disfuncionais:
Pensamento dicotômico – sem meio-termo. “Nunca vou conseguir”, “Ou faço isso agora ou não haverá outra chance pra mim”.
Ditadura dos “deveria” – “Eu tenho que... senão...” “Os outros deveriam...
Frequentemente, a forma de pensar do individuo lhe acarreta problemas que parecem se repetir constantemente, dando uma sensação de que numa determinada área da vida a pessoa é azarada ou não é competente. A maioria dos clientes chega à terapia neste ponto, seja por questões emocionais ou por momentos de perda ou necessidade de decisões. Também é comum que a pessoa já entenda que o xis da questão está em sua forma de pensar, mas por algumas razões ela, sozinha, não está conseguindo alterar sua forma de reagir.
Todos nós reagimos ao ambiente baseados em nossas crenças, nas regras sociais introjetadas e nas expectativas sobre a vida e os acontecimentos.
Um mesmo acontecimento desagradável, para duas pessoas diferentes, trará diferentes reações e sentimentos. Uma pode se afundar a partir disso e a outra pode sair da situação fortalecida.
A Terapia Cognitivo-Comportamental atua, sobretudo, no nível do pensamento (Interpretação das situações), formulando entendimentos, verificando as funções no seguinte esquema:
Fato/Situação -> Interpretação/Crenças -> Emoção -> Comportamento
Atua ainda no treinamento comportamental para mudança de hábitos, que leva o cliente a ter maior domínio sobre fatores que antes lhe pareciam fora de controle. Este treinamento é uma parte bem prática da terapia.
É importante ressaltar que os clientes podem encontrar dificuldades ao participar da psicoterapia, porém, que ao estarem em sofrimento precisam assegurar um momento para si mesmos. Algumas dessas dificuldades se devem à negação do problema, com isso o cliente freqüenta, mas não se compromete, ou abandona precocemente o trabalho que está se desenvolvendo. Outras dificuldades são de origem cultural, ainda há uma idéia estigmatizada sobre terapias psicológicas, onde alguns clientes se entendem como falhos ou fracos por buscarem ajuda. É sinal de coragem e força sair do isolamento e buscar auxílio quando percebemos que sozinhos não estamos conseguindo o bem-estar que merecemos. Ainda, no início de alguns processos terapêuticos temos desconforto em compartilhar nossos problemas com uma outra pessoa que pouco conhecemos, e também em entrar em contato com nossas maiores ansiedades e medos. Mudanças, à primeira vista, nem sempre são agradáveis, embora geralmente possamos reconhecer que são necessárias.

http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicologia-cognitiva/terapia-cognitivo-comportamental

sábado, 3 de agosto de 2013

Após aprovar o ABORTO...

Após aprovar o ABORTO, Dilma acha que evangélicos prepararam armadilha contra ela

Presidente Dilma sabe que sua atitude será bastante explorada em 2014, no período eleitoral
Dilma Roussef 
Dilma Rousseff está convencida que a aprovação por unanimidade da lei contra a violência sexual, tanto na Câmara quanto no Senado, foi uma armadilha da bancada evangélica, mais precisamente do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Como Dilma sancionou o projeto que permite a distribuição da pílula do dia seguinte para as vítimas de estupro, e que isto pode permitir o aborto, a bancada religiosa teve o mote que precisava para acusá-la de avançar  na legislação de atendimentos de casos de abortos no SUS.
A uma ministra, Dilma disse estar cumprindo o que prometeu em campanha em 2010. Ou seja, não ampliar a legislação que trata do atendimento de casos de abortos no SUS – mas sem retroceder.

Deputado Eduardo Cunha
(Atualização, às 14h59: Eduardo Cunha ligou. Disse o deputado: “É uma infantilidade pensar que as coisas aconteceram assim. É por isso que a coordenação do governo no Congresso está dessa maneira. É uma maldade. Eu fui surpreendido com o que aconteceu no plenário”). Fonte: Lauro Jardim, da Veja, com adaptação de Holofote.Net)

COMENTÁRIO:
Em 2010 a então candidata Dilma Roussef assumiu ocompromisso com católicos e evangélicos de não aprovar o aborto. Ao sancionar essa lei, ficou evidenciado que o acordo foi quebrado.
Já o  deputado Eduardo Cunha (RJ), ao admitir que foi surpreendido com a aprovação da lei, deixou claro que precisa estar mais atento. Afinal, ele foi eleito pelo povo evangélico do RJ, não para ficar vendo a banda passar, mas para legislar.  O povo merece respeito.



 


http://holofote.net/apos-aprovar-o-aborto-dilma-acha-que-evangelicos-prepararam-armadilha-contra-ela/

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

PRIAPISMO

 PRIAPISMO


Priapismo trata-se da ereção involuntária dolorosa e persistente do pênis, associado ou não ao estímulo sexual. Esta complicação urológica aguda foi descrita pela primeira vez no ano de 1934, em pacientes com doença falciforme.

Estudos têm demonstrado que aproximadamente 30% a 45% dos pacientes com doença falciforme relatam pelo menos um episódio de priapismo. O primeiro pode ocorrer na primeira década de vida, embora seja mais frequente após os 12 anos de idade, e dos pacientes que apresentam essa complicação, cerca de 90% são portadores da anemia falciforme.


Os episódios dessa afecção ocorrem mais comumente no período noturno, apresentando duração bastante variável (de minutos a horas), podendo ocorrer por vários dias, semanas ou meses. Existem alguns fatores que podem induzir a esses episódios, como o ato sexual, masturbação e a ingestão de bebidas alcoólicas, todavia, o fator precipitante mais frequente é a ereção noturna espontânea.


Existem dois tipos principais de priapismo, são eles:

  • Isquêmico (baixo fluxo ou veno-oclusivo): é o mais frequente, apresenta múltiplas causas, e está associado à diminuição do retorno venoso, havendo estase vascular, resultando em isquemia tecidual. A ereção normalmente é dolorosa e a gasometria dos corpos cavernosos evidencia acidose metabólica, com reduzida concentração de oxigênio. Quando o sangue dos corpos cavernosos é aspirado, apresenta coloração vermelho escura.  
  • Não-isquêmico (alto fluxo ou arterial): é menos comum e é caracterizado pela elevação do fluxo arterial, na presença do retorno venoso normal, com aumento da pressão parcial do oxigênio. É comum haver o relato antecedente de trauma perineal ou peniano. A ereção é indolor, e o sangue dos corpos cavernosos, quando aspirado, apresenta coloração vermelho-clara. A gasometria dos corpos cavernosos é do tipo arterial, sem acidose ou hipoxemia.

O diagnóstico é feito com base no histórico e exame clínico; a gasometria dos corpos cavernosos também é importante. Caso a gasometria seja indicativa de priapismo isquêmico, o hemograma com contagem de plaquetas, para rastreamento para leucemias e plaquetocitose, e testes para a detecção de anemia falciforme podem auxiliar na conduta.


A ultra-sonografia com Doppler do pênis pode mostrar sinais de fístula artério-cavernosa e um aumento de fluxo nas artérias cavernosas, quando se trata do priapismo não-isquêmico. No priapismo isquêmico, o fluxo das artérias cavernosas encontra-se reduzido.


O exame de arteriografia é indicado apenas no momento da realização da embolização seletiva, nos casos de priapismo não-isquêmico.


A afecção em questão, na maioria das vezes, necessita de um atendimento médico urgente, sendo que o objetivo do tratamento é esvaziar os corpos cavernosos intumescidos, aliviar a dor do paciente, e prevenir a impotência definitiva.


No caso do priapismo isquêmico, o tratamento medicamentoso sempre deve preceder o tratamento cirúrgico. O primeiro deve iniciar-se com o esvaziamento por punção, seguido ou não de lavagem dos corpos cavernosos com soro fisiológico. Se o priapismo não for solucionado, segue-se o tratamento medicamentoso intracavernoso. Já o tratamento cirúrgico objetiva estabelecer fístulas entre os corpos cavernosos e esponjosos.


Quando se tratar de priapismo não-isquêmico, a punção dos corpos cavernosos apresenta caráter meramente diagnóstico, não sendo indicado o esvaziamento e a lavagem dos corpos cavernosos. Este tipo não requer tratamento imediato e pode ter resolução espontânea. O tratamento de eleição é a embolização da artéria lesada, utilizando-se material não permanente, como por exemplo, coágulo autólogo ou gel absorvível.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Priapismo
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?345
http://www.scielo.br/pdf/rbhh/v24n2/a11v24n2.pdf
http://www.projetodiretrizes.org.br/6_volume/35-Priapismo.pdf
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=4483&ReturnCatID=1746
http://www.manualmerck.net/?id=255&cn=1985

http://www.infoescola.com/doencas/priapismo/

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