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segunda-feira, 17 de março de 2014

José do Egito, o primeiro psicanalista

José do Egito, o primeiro psicanalista

 




A publicação de “A interpretação dos sonhos” foi um dos momentos fundantes da Psicanálise. Ela é o resultado da autoanálise de Freud e da elaboração do luto pela morte do pai. Reencontro neste livro o meu personagem predileto do Genesis bíblicos, José do Egito, o primeiro interpretador de sonhos da cultura ocidental.
A (hi)estória do mesmo bem que poderia ser pensada como um paradigma de algumas características do processo e da individualidade de um psicanalista.
Antes de ser chamado para interpretar os sonhos do Faraó, ele demonstrou potencialidades para a função, o mesmo ocorreu depois do fato.
Vejamos algumas dados da biografia José que coincidem com as de um bom psicanalista. Um psicanalista precisa sobrevier aos ataques dos demais, mesmo quando estes vêm dos irmãos das neurociências, da psicologia cognitiva e comportamental (…). Também dos ataques que surgem no cenário criado durante um processo de análise, nele, muitas vezes, o analista além do ataques de irmãos, precisa sobreviver aos dirigidos ao pai, filho, irmão, amante, patrão (…), todos papéis que ele desempenha no cenário transferencial.
O trabalho é árduo, abstinente; quase escravo em culturas, muitas vezes, diferentes da sua. Os psicanalistas não podem cair na cantada fácil de prazeres com conotação incestuosa, mesmo que sofram retaliações. Precisam estar preparados para dar notícias/interpretações boas (libertadoras) e difíceis (sobre a morte). José foi lembrado, não porque fez boas previsões, e sim porque fez interpretações corretas.
Os psicanalistas precisam estar preparados para anunciar a fartura (esperança/vida/criatividade), mas também a prolongada penúria (seca/esterilidade). Precisam planejar e governar – mesmo que esta seja uma missão impossível, segundo Freud. Precisam perdoar, sem serem pusilânimes. Precisam acolher os perseguidores, porque água/comida não se nega nem para inimigo e muito menos para irmãos, que como escreveu Pitigrilli, são mais que inimigos.
Precisam prepará-los para serem pais dos pais, quando estes precisarem. José fez/foi tudo isso. Foi um precursor dos interpretadores de sonhos, pretensiosos analistas, que mesmo sabendo das dificuldades, não desistem de exercerem esta função impossível.



Publicado em Psicanálise e psiquiatria
http://hemersonmendes.wordpress.com/ 

domingo, 16 de março de 2014

Nicolau Maquiavel

Nicolau Maquiavel

 
Maquiavel - retrato
 Nicolau Maquiavel: 
um dos grandes teóricos do Renascimento

Biografia, obras, frases, idéias defendidas, vida política, teorias sobre o poder, sociologia
 
Introdução

Nicolau Maquiavel foi um importante historiador, diplomata, filósofo, estadista e político italiano da época do Renascimento. Nasceu na cidade italiana de Florença em 3 de maio de 1469 e morreu, na mesma cidade, em 21 de junho de 1527.
 
Vida e obras 


Filho de pais pobres, Maquiavel desde cedo se interessou pelos estudos. Aos sete anos de idade começou a aprender latim. Logo depois passou a estudar ábaco e língua grega antiga.

Aos 29 anos de idade, ingressou na vida política, exercendo o cargo de secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença. Porém, com a restauração da família Médici ao poder, Maquiavel foi afastado da vida pública. Nesta época, passou a dedicar seu tempo e conhecimentos para a produção de obras de análise política e social.

Em 1513, escreveu sua obra mais importante e famosa “O Príncipe”. Nesta obra, Maquiavel aconselha os governantes como governar e manter o poder absoluto, mesmo que tenha que usar a força militar e fazer inimigos. Esta obra, que tentava resgatar o sentimento cívico do povo italiano, situava-se dentro do contexto do ideal de unificação italiana. 

Entre os anos de 1517 e 1520, escreveu “A arte da guerra”, um dos livros menos lidos do autor. 

Em 1520, Maquiavel foi indicado como o principal historiador de Florença.

Nos “Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio”, de 1513 a 1521, Maquiavel defende a forma de governo republicana com uma constituição mista, de acordo com o modelo da República de Roma Antiga. Defende também a necessidade de uma cultura política sem corrupção, pautada por princípios morais e éticos.


O termo “maquiavélico”


Em função das idéias defendidas no livro “O Príncipe”, o termo “maquiavélico” passou a ser usado para aquelas pessoas que praticam atos desleais (até mesmo violentos) para obter vantagens, manipulando as pessoas. Este termo é injustamento atribuído a Maquiavel, pois este sempre defendeu a ética na política.


Frases de Maquiavel
- "Os homens ofendem mais aos que amam do que aos que temem." 

- "O desejo de conquista é algo natural e comum; aqueles que obtêm sucesso na conquista são sempre louvados, e jamais censurados; os que não têm condições de conquistar, mas querem fazê-lo a qualquer custo, cometem um erro que merece ser recriminado." 

- "Nada faz o homem morrer tão contente quanto o recordar-se de que nunca ofendeu ninguém, mas, antes, ajudou a todos." 

- "Quem do prazer se priva e vive entre tormentos e fadigas, do mundo não conhece os enganos." 

- "Todos os profetas armados venceram, e os desarmados foram destruídos." 

- "A ambição é uma paixão tão forte no coração do ser humano, que, mesmo que galguemos as mais altas posições, nunca nos sentimos satisfeitos." 

- "Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição." 

- "O homem que tenta ser bondoso todo tempo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons." 

- "O homem esquece de forma mais fácil a morte do pai do que a perda do patrimônio". 

- "Na política, os aliados atuais são os inimigos de amanhã."

http://www.suapesquisa.com/biografias/maquiavel.htm

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Jacques Lacan - Biografia


Em Paris no dia 13 de abril de 1901 nascia Jacques Marie Émile Lacan - um ano depois do lançamento da obra a “Interpretação dos sonhos”, de Sigmund Freud. Lacan era o primogênito de uma próspera família católica, burgueses de origem provinciana. Seu irmão caçula Marc Marie nasceu seis anos depois e veio a entrar para a ordem dos beneditinos.
O pai de Lacan era Alfred Lacan que não se ocupava de coisas intelectuais. Já a sua mãe, Emile Baudry, proporciona ao filho uma vasta cultura cristã e um ardoroso misticismo.
Jacques Lacan não renega a cultura religiosa que recebeu, mas abandona toda a crença em Deus e toda participação na prática cristã. Isso fica marcado pela decisão de não mais usar o prenome Marie ligado a Jacques.
Lacan estudou no Colégio Stanislas, dirigido por jesuítas. Sempre foi um aluno brilhante. Em 1919 Lacan matricula-se na faculdade de medicina, no ano seguinte começou o curso e a partir de 1926 especializou-se em psiquiatria. Paralelamente estudava literatura e filosofia e se aproximou do movimento surrealista. Fez amizade com René Salvador Dali, encontra Breton, lê os trabalhos de Pichon, em quem admira um novo mestre da língua.
Dois dos grandes mestres do jovem Lacan foram: Henri Wallon (e sua teoria do estágio do espelho); e Alexandre Kojéve (nos seus comentários sobre Hegel).
Revoltado com o crescimento nos Estados Unidos da escola da “Psicologia do Ego”, que Lacan acreditava estar deturpando o real sentido da psicanálise, resolveu dirigir seus estudos para uma releitura de Freud.
Lacan é um autor polêmico – discutido e admirado, para alguns teóricos é considerado o maior psicanalista depois de Freud, ou até mesmo do seu porte; para os seus críticos, a teoria lacaniana é um retrocesso da psicanálise, um desvirtuador da teoria freudiana. Amado ou odiado... Lacan jamais passa despercebido. 
Entre 1928 e 1929 trabalha como interno ao Serviço de Enfermaria Especial da Delegacia de Polícia, dirigida por Clérambault, a quem no futuro Lacan veio a reconhecer como o seu único mestre em psiquiatria.
Entre 1929 e 1930 passa no Instituto de Psiquiatria e de Profilaxia Mental do Hospital Henhi-Roussele.
Em 1931 após examinar Marguerite Pantaine, que havia tentado assassinar a atriz Huguette Duflos, escreve uma monografia que está na gênese da sua tese de doutorado. 
Em 1932 inicia sua análise com Rudolf Loenstein. Defende sua tese de doutorado “Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade”. Lacan envia um volume de sua tese para Freud, recebendo como resposta apenas um cartão postal.
Em 1934 Lacan casa-se com Marie Louise Blondin com quem tem três filhos: Caroline (1937), Thibault (1939) e Sybille (1940). Neste mesmo ano decide orientar-se para a psicanálise. É nomeado médico dos Asilos e adere a “Société Psychanalytique de Paris” (SPP) (que foi fundada em 1926.
Em 1936, obtém o título de Médico dos Hospitais Psiquiátricos; torna-se membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SSP). Nesse mesmo ano inicia relações com Sylvia Bataille. E em 1941 separa-se de sua primeira esposa e tem uma filha Judith Sofhie, filha de Lacan com Sylvia. 
Em 1951 dá início aos Seminários, uma série de apresentações orais que foram reunidos em livros. A técnica de sessões curtas gera controvérsias na SSP.
Em 1953 faz conferencias fundamentais como: O Mito Individual do Neurótico (em que utiliza pela primeira vez a expressão Nome-do-Pai); O Real o Simbólico e o Imaginário (onde coloca suas teorias sob o signo do retorno a Freud); Função e Campo da palavra e da Linguagem em Psicanálise. Deixa a SSP junto com Françoise Dolto, Daniel Lagache e outros 40 analistas. Funda a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP). Realiza o Seminário Os Escritos Técnicos de Freud (esse foi o primeiro Seminário de Lacan que foi registrado por estenotipista, possibilitando posterior publicação).
A IPA não vê com bons olhos a rebeldia de Lacan às regras técnicas em vigor. Lacan interrompe sessões a seu gosto, recebe pessoas a qualquer hora, fica muitíssimo com um cliente num dia e, no outro, dez minutos... Come refeições durante as sessões, anda de um lado para o outro, aceita famílias em análise. A técnica lacaniana é alvo de uma contestação permanente. Em 1951, a comissão de ensino exige que Lacan regule sua situação. 
Em 1963 a IPA admite a filiação da SFP. Em 1964 Lacan fundou a Escola Freudiana de Paris (EFP) com antigos alunos como: Françoise Dolto, Maud e Octave Mannoni, Serge Leclaire, MOustapha Safouan e François Perrier. A formação lacaniana é complexa e bem mais exigente que a universitária; é uma formação de um a um, não há padronização. Na teoria lacaniana o analista empresta conseqüência às palavras do analisando.
Em 1966 reúne seus escritos em um único volume os Escritos. Em 1967 propõe a criação do “passe”, que seria um dispositivo regulador da formação do analista. Em 1980 ele anuncia a dissolução da EFP e funda em outubro a Escola da Causa Freudiana
Em 9 de setembro de 1981 Lacan, morre em Paris.   

Fonte: http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/jacques-lacan-biografia#ixzz2UDsvWNK4
Psicologado - Artigos de Psicologia 

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